Mercado de trabalho para mulheres

Ascensão e queda do mercado de trabalho para mulheres

A crescente participação das mulheres no mercado de trabalho é uma das transformações mais notáveis dos últimos cinquenta anos na América Latina.

Nota do Blog: Dessa transformação nós participamos, pessoas com mais de 60 anos, também no presente participamos de outra revolução a do envelhecimento da sociedade onde as mulheres são e serão a maioria. Ao trabalharmos com um Blog para todas as idades lembramos que os temas mercado de trabalho e previdência, entre outros, são de interesse universal. A pesquisa da FEE/RS pode ser considerada uma amostragem para a AL.

A Fundação de Economia e Estatística (FEE)/RS divulgou, na manhã desta quinta-feira (05/03/16), o Informe Mulher e Trabalho. Entre os principais resultados, a taxa de desemprego das mulheres é superior à dos homens, e a mão de obra assalariada feminina segue ganhando menos, apesar de ter, em média, um nível de escolaridade superior. O rendimento médio das mulheres é 24,6% inferior ao dos homens, e a média salarial do trabalhador masculino é de R$ 2.093,00 ante R$ 1.579,00 da mulher trabalhadora.

A presença das mulheres no mercado de trabalho diminuiu de 48,9%, em 2013, para os atuais 46,7%. É a primeira retração em dez anos na participação da mulher. Em 2013, 813 mil mulheres estavam empregadas na Região Metropolitana de Porto Alegre. Em 2014, o índice caiu para 796 mil mulheres. Para os homens, o indicador também se retraiu, passando de 65,2% para 63,3%.

O boletim faz uma análise da inserção feminina no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre em 2014, a partir da Pesquisa de Emprego e Desemprego-RMPA, executada pela FEE em convênio com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS/Sine-RS), Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade-SP) e prefeitura de Porto Alegre. O levantamento conta também com apoio financeiro do Ministério do Trabalho e Emprego/Fundo de Amparo ao Trabalhador.

Ao participar do lançamento da publicação e da divulgação dos resultados da pesquisa, a secretária extraordinária do Gabinete de Políticas Sociais do Governo do Estado, Maria Helena Sartori, falou sobre as desigualdades entre homens e mulheres: “Os dados mostram que a mulher está presente no mercado de trabalho, mas recebe menos pela sua atividade econômica. “A mulher está presente em todas as carreiras, mas o mercado oferece mais oportunidades de ascensão para os homens. Portanto, torna-se cada vez mais importante a qualificação da mulher em todos os setores”.

Desemprego  – A taxa de desemprego apresentou queda para as mulheres. Contudo, conforme salienta a pesquisadora e socióloga da FEE Miriam De Toni, o resultado decorre da saída de mulheres do mercado de trabalho, e não de uma maior ocupação da mão de obra. A taxa de desemprego total feminina recuou para 6,6%, em 2014, frente aos 7,5% de 2013, enquanto a masculina ficou estável em 5,4%.

O contingente de mulheres desempregadas foi estimado em 56 mil pessoas (10 mil a menos do que em 2013), e o de homens, em 53 mil pessoas (3 mil a menos). Apesar de ter diminuído o diferencial entre as taxas de desemprego feminina e a masculina, as mulheres ainda têm índice de desemprego superior ao dos homens e representam mais da metade dos desempregados (51,1% do total).

A queda do nível ocupacional trouxe efeitos desfavoráveis sobre a formalização das relações de trabalho, interrompendo a tendência de crescimento observada desde 2004. Em 2014, a queda no emprego assalariado foi de 2,4%, para ambos os sexos. A única exceção de crescimento refere-se às mulheres com atividades autônomas, com elevação de 26,2% em relação às que trabalham para empresas.

Houve retração no emprego doméstico, modalidade constituída em sua quase totalidade por mulheres. A queda foi de 4,6%, como resultado da diminuição tanto na modalidade de emprego doméstico mensalista (-5,2%) quanto na de diarista (-3,5%). Miriam De Toni relembra que “as mulheres ainda possuem presença maior em nichos que mantêm uma interface com as atividades que exercem no âmbito privado, como educadoras e responsáveis pelos serviços domésticos”. Para Lucia Garcia, coordenadora nacional do Sistema PED, é importante a realização de estudos que ampliem a compreensão sobre a causa de nichos, já que há predomínio de mulheres em áreas mais mal remuneradas.

Quanto ao nível de ensino dos ocupados em 2014, as mulheres mantiveram a tendência histórica de terem maior escolarização do que os homens e de se concentrarem em maior número nos postos que exigem escolaridade mais alta. Elas representam 45,5% das ocupações de ensino médio completo e 20,7% das de ensino superior completo. Já os homens correspondem a 43,7% e 14,8%, respectivamente.

Veja mais em: http://labor-al.org/participacionfemenina/ e acompanhe o recente estudo anunciado no início.

Veja também: El libro “¿Brechas que se cierran? Aumento y desaceleración de la participación laboral femenina en América Latina” muestra que en América Latina la incorporación de las mujeres al mercado laboral se está desacelerando desde comienzos de los años 2OOO.

 Mientras que en los noventa la tasa de participación laboral de las mujeres creció aceleradamente, en los 2OOO la velocidad se redujo a un tercio, y en algunos países se detuvo.

¿Cuál es la magnitud de este fenómeno? ¿Cuáles son sus causas? ¿Qué grupos se ven más afectados?

Fontes:

http://www.sul21.com.br/jornal/presenca-das-mulheres-no-mercado-de-trabalho-tem-primeira-retracao-em-10-anos/

http://www.unlp.edu.ar/articulo/2016/2/23/presentacion_del_libro___brechas_que_se_cierran_

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