A era da solidão – Parte 1

O ser humano é um ser social por natureza, desde que nasce até morrer. Necessita dos outros para viver.

 A solidão é um fator de risco para a saúde, em qualquer idade, que pode ter uma solução.

Comentário do Blog: Com base no tema proposto pela cineasta do documentário The Age of Loneliness o articulista indica sete pontos sugeridos pela Dra.  Anne-Carole Bensadon da Inspection générale des affaires sociales, Paris/França no estudo ‘Combatir la soledad de los mayores’: Aislamiento de vida de relación de los mayores’. Para facilitar a leitura o artigo está apresentado em duas partes.

Age LonelinessA cineasta Sue Bourne voltou a entusiasmar seus seguidores com o documentário The Age of Loneliness que traz histórias de pessoas idosas. Desta vez focando a idade da solidão que foi transmitida pela BBC. Esta TV que para a maioria dos participantes nesse documentário, é o único e fiel companheiro para que passar as horas.

É possível afirmar que a solidão não é um problema exclusivo de pessoas idosas e da mesma forma, que é uma epidemia que envergonha, causa depressão e isto leva ao isolamento. Apesar de viver numa época de “hiperconctados” são milhões de pessoas que sofrem em silêncio, uma doença mortal.

O ser humano é um ser social por natureza, desde que nasce até morrer. Necessita dos outros para viver. A solidão é um fator de risco para a saúde, em qualquer idade, que pode ter uma solução.

Aqui estão alguns conselhos extraídos do estudo ‘Combatir la soledad de los mayores’: Aislamiento de vida de relación de los mayores’, por Anne-Carole Bensadon:

Ter em conta a diversidade das solidões

Todas as solidões não são comparáveis e avaliação global de pessoas idosas deve ter muito em conta o isolamento.

2 Passar do “fazer por” para o “fazer com”

A riqueza da análise qualitativa demonstra o papel importante que as pessoas mais velhas desejam ter para escolher seu modo de vida. Acreditar em sua capacidade de mudar as coisas impede limitar-se a  a um processo de cuidado que vem de fora e obriga, juntamente com as partes interessadas, a buscar e  desenvolver respostas adequadas.  

Reforçar a coordenação a nível individual: “os assistentes sociais”

Existem ligações complexas entre a saúde das pessoas mais velhas, o isolamento e a solidão. Programas de ação estabelecidos neste campo pelas autoridades públicas são, certamente, um bom caminho para atender melhor aos idosos. No entanto, o envelhecimento previsto da população exige, em particular, fornecer um reforço das coordenações.

O “Assistente Social” está é integrado em um tecido de proximidade ou vizinhança. Sua função é de coordenação, mas também de supervisor e facilita uma prevenção eficaz em nível da pessoa mais velha. Pode detectar uma mudança de estado que precise da intervenção de um profissional da saúde, mas principalmente tem da  pessoa uma visão global que considera a situação real em que se encontra em um tempo dado e o desenvolvimento dessas situações. Sua posição ante as potenciais diferentes intervenções facilita a sinergia entre esses diferentes atores a serviço da pessoa e muito provavelmente constitui uma boa base na prevenção e luta contra o isolamento.

4 Fomentar as relações de vizinhança

Os testemunhos recolhidos na pesquisa “Aislamiento y vida de relación”, bem como o que tem sido escrito sobre o tema, mostra que as pessoas mais velhas já desenvolveram por si mesmas algumas estratégias para expandir as suas relações de vizinhança. “(…) Escuto a vizinha e saio com o mesmo propósito que ela. Em casas próximas, é bom, porque um é quase obrigado a conversar com o outro. Você tem que fazer um tempo para conhecer encontrar com as pessoas. Tempo para tecer laços de amizade (…) “.

Utilizar às diferentes modalidades de bairro poderia dar origem a mecanismos catalisadores, que é o que claramente as pessoas desejam e que ficou claro na pesquisa. Os eventos “inmuebles en fiesta – la fiesta de los vecinos” é um exemplo muito interessante neste campo. Esta experiência já reuniu mais de 4.500.000 participantes, de acordo com os promotores, mostra a importância da iniciativa privada neste campo, mas também o interesse que os dos gestores públicos em manter iniciativas.

Os coletivos territoriais, conselhos gerais e conselhos de cidade sem dúvida de que têm um papel primordial pelo fato da sua legitimidade e confiança que suscitam, favorecendo assim a participação em tais reuniões. O outro elemento a destacar é a natureza aberta deste tipo de intercâmbio que não é reservada a uma idade determinada e não reúne pessoas em torno de uma atividade que sejam obrigadas a participar. O único critério levado em conta é o espaço geográfico. A dimensão territorial, portanto, é fundamental.

5 Reforçar o capital social

Capital social pode ser definido muito esquematicamente como um conjunto de relações sociais que um indivíduo possui. Este capital é construído ao longo da vida e testemunha, aqui também, a importância da prevenção, inclusive neste campo.

Cuidar o capital social favorece, com ações concretas para o público de diferentes idades, as situações que permitam que o conjunto de pessoas acumule, ao longo da vida, deste capital social, certamente é uma boa base para lutar contra o isolamento.

Parece que os europeus que têm capital mais humano e o capital econômico, são os que tem mais capital social. O capital humano a que faz referência é constituído a partir das experiências da vida e da educação. Este fato merece uma atenção particular e da qual voltaremos a falar.

Continua na Parte 2

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