“Aposentadoria”: atitudes, decisão e planejamento

“É importante começar a se programar para o envelhecimento, e para isso desenvolver um projeto de vida é fundamental.”

Falar em aposentadoria é falar sobre muitas coisas. Falar de envelhecimento também significa falar sobre vários tópicos. Quando falamos de aposentadoria falamos de envelhecimento de trabalhadores em geral, pessoas que vão se aposentar e pessoas que não vão se aposentar.

Comentário do Blog: O evento Diálogos “Políticas Públicas para envelhecimento ativo após aposentadoria: direitos, experiência e projetos sociais”, promovido pelo Mestrado em Gerontologia da PUC-SP por meio do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (Nepe)  com a parceria do Itaú Viver Mais, no dia 29 de setembro, o qual foi mediado pela professora Ruth Gelehrter da Costa Lopes  e a palestrante  a professora  Lucia França. Ambas da PUC-SP.

A ideia da aposentadoria também se expandiu, hoje existem vários tipos de aposentadorias, mas o importante é fazer com que o mercado de trabalho esteja aberto a qualquer pessoa que tenha interesse em continuar trabalhando independente da idade ou que queira retornar ao mercado de trabalho”.

A professora Lucia França assinalou que a aposentadoria está relacionada a três momentos. O primeiro são as atitudes que cada um tem. Esclarece, no entanto, que não são aquelas que nós  tomamos, pois isso seria comportamento, mas aquelas atitudes negativas e/ou positivas que temos em relação à aposentadoria, já que estas estarão de certa forma presentes na maneira que cada um planeja, decide e se adapta à aposentadoria: se vai ser negativa como um peso, ou uma forma positiva, um momento de recomeçar, inovar e adquirir novos conhecimentos. Isso requer aprendizagem ao longo da vida.

Isto de fato, acrescentou a professora, dependerá em que empresa cada um trabalhou, da saúde em que o indivíduo se encontra, na participação na sociedade e fatores como segurança, fatores que influenciam em como pensar em educação continuada.

O segundo momento é a decisão. Segundo França, você pode estar vivendo a fase mais produtiva da sua vida, e tem que decidir se aposentar ou continuar trabalhando. Este momento, segundo ela, depende muito do que se tem de recursos, não somente financeiros, mas recursos que se tem dentro da nossa família, do grupo de amigos com quem a gente se relaciona, o que se faz em termos de vida social, no trabalho que pode ser continuado, que pode ser reinventado na segunda carreira que se pode ter após a aposentadoria.

O momento da decisão dependerá também   da política social  em vigor, das relações com a comunidade, o lazer e as atividades culturais.

De acordo com a palestrante, se possuirmos recursos (lembrando que não apenas financeiros) planejaremos de forma eficaz nosso envelhecimento. E acrescenta que é exatamente isso que o planejamento da aposentadoria trabalha, fazendo com que se tenha recursos suficientes para se aposentar em termos de sobrevivência, qualidade de vida, saúde e também recursos financeiros.

O terceiro momento, portanto, é o planejamento. França assinala que uma vez tendo desenvolvido isso em termos de projeto de vida a curto, médio e longo prazo, teremos condições de ter uma aposentadoria de bem-estar.

A professora Lucia Franca chamou a atenção do público presente para a responsabilidade individual de se pensar no futuro, quando culturalmente tendemos jogar essa responsabilidade para o Estado, para a empresa, para o outro. Segundo ela, pensar no futuro e em aposentadoria é responsabilidade de cada um de nós. E acrescenta: “temos que começar a assumir a responsabilidade e não deixar para depois, começar a se programar para o eaposentadoria-livronvelhecimento, e para isso desenvolver um projeto de vida é fundamental”, concluiu.

Ao final da palestra da professora Lúcia França foi sorteado um livro organizado por ela, intitulado  “Propostas Multidisciplinares para o Bem Estar na Aposentadoria”, a um participante da plateia .

Quem é Lucia França – Lucia França é psicóloga, Mestre em Psicologia Social pela UFRJ (1989) e PhD em Psicologia Social pela Universidade de Auckland-NZ. Possui ainda especialização em Gerontologia Social (Instituto Sedes Sapientiae/SBGG, 1989).

Parceria Diálogos Nepe/Itaú Viver Mais – Fomentar as discussões sobre envelhecimento, velhice e longevidade junto à sociedade é o objetivo da parceria realizada entre a PUC/SP, por meio do Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento (NEPE) do Programa de Estudos Pós-Graduados em Gerontologia da PUC/SP, mantida pela Fundação São Paulo e o Itaú́ Viver Mais, uma associação sem fins lucrativos, que desenvolve projetos especialmente para pessoas com mais de 55 anos, oferecendo atividades físicas e socioculturais.

(*)Bruna Mendes é enfermeira, com pós-graduação em Urgência e Emergência pela Faculdade de Ciências Albert Einstein. É mestranda bolsista do Pós em Gerontologia da Pontifica Universidade Católica de São Paulo. Wanderley Correia é fisioterapeuta, Pós Graduado em Ortopedia – Albert Einstein. Atualmente é mestrando em Gerontologia na PUC-SP.  E-mail: fisiowanderleycorreia

Fonte: http://www.portaldoenvelhecimento.com/    Escrito por  Bruna Mendes e Wanderley Correia  

Imagem: www.folhavitoria.com.br

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