A busca por oportunidade de trabalho – Parte 2A

Para pensar ou achar engraçado: A idade, a aposentadoria e o mercado de trabalho.

Este é o título de um  “desabafo” escrito por mim em 2011 e  que virou artigo  por iniciativa da Prof. Beltrina Corte PUC/SP que o publicou na Revista Portal de Divlgação  nº11/2011. Aqui

Alerta: o artigo , aqui no Blog está  apresentado em duas partes: na Parte 2 A e continua na Parte 2 B do título A busca por oportunidade de trabalho.  Para ilustrar  lembro que agora, estou com 73 anos e certamente com novos/velhos fatos para outro artigo.

Para pensar ou achar engraçado: A idade, a aposentadoria e o mercado de trabalho

Percebi que as décadas, na minha vida, são marcos de mudança.

Esta década, por exemplo, está tentando, insistentemente, enquadrar-me aos programas que a sociedade (governo e mercado) definiu para a terceira idade: caminhada matinal, um encontro com as amigas numa tenda da praça de alimentação de um Shopping e, claro, um local de dança no final de semana. Ah! E perder a identidade, porque passarei a ser “a aposentada”!

É muito honroso conquistar uma aposentadoria após décadas de trabalho. Contudo, a situação de aposentado não define uma profissão nem uma identidade. É bom lembrar que aposentadoria não é benefício é o meu o seu dinheiro recolhido do nosso salário que o Governo “gerencia.”

Hei de lutar bravamente para que entendam isso, sempre.

É interessante lembrar as manchetes na imprensa: “Aposentada recebe cão desaparecido e quer exame de DNA”, “Polícia prende vizinho de aposentada…”, “Colisão provocou a morte da aposentada”. “Aposentada de 81 anos é caloura da PUC” e por aí vai ….

Parte A

As regras do mercado, principalmente, o financeiro, direcionam o marketing para os aposentados porque representam uma parcela  de milhões em $.  Porque milhões? Porque embora recebam baixos benefícios, como aposentados, são numerosos. Muitos precisam, querem e têm competência para continuar trabalhando.

Há um esforço de Todos os setores do mercado para a conquista de consumidor: ofertas encantadoras nos setores saúde, seguro, investimento, viagens, educação (intercâmbio para o aprendizado de línguas) e tantas outras às vezes esdrúxulas. Sem exceção, todos estão trabalhando com o critério de “os sem idade” ou “ageless” com o discurso “científico” de que hoje a qualidade de vida desafia o calendário e ocorre que os 60 anos equivalem a 40 anos. Entretanto, é bom lembrar que vale tão somente para o mercado consumidor do qual somos objeto de cobiça.

Pouco, muito pouco, ou nada para manter os “ageless” no mercado de trabalho.

Mais variáveis fortalecem meu repertório:

A área educacional convencionou que bolsas de estudos só beneficiem criaturas com até 32 anos. Os empresários convencionaram que 32 anos é a idade ideal para a contratação de executivos ou coisa parecida, quando alguém diz que tem 35 anos a resposta é: vamos analisar seu currículo… Quando chega aos quarenta anos começam a surgir algumas dificuldades, às vezes sérias.  Mencionei, aqui, alguns fatos do presente.

Faço algumas considerações de experiência pessoal:

1º)  Estou no grupo dos enta (quase 68 anos);

2º)  Na área em que trabalhamos (a maioria dos meus amigos e amigas) a medida que nossa experiência nos dá títulos  de especialista em desenvolvimento regional; local; em gestão de organizações; em formação de novas institucionalidades e outros nomes parecidos, vamos ficando longe das funções e nomenclatura do mercado do segundo setor e já com certa dificuldade no terceiro setor (mudanças).

3º)  O mundo empresarial é regido por normas que caracterizam a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) como um instrumento do bem, ou seja: “nosso interesse não é o lucro pelo lucro mas o social”. Para transmitir confiança ao consumidor trocou o E pelo A de ambiental (RSA ). Mesmo assim, não consegue (ou não quer) entender desenvolvimento sustentável.

4º)  Nossos empregadores (aqueles que nos contratavam), estão se adequando às políticas e ao mercado que está parecendo picadinho, agora temos que ser especialistas em:

  1. Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares (PCTAF);
  2. Povos de comunidades tradicionais (PCT): que abrange os povos indígenas; as comunidades quilombolas; as comunidades de terreiro, os extrativistas, os ribeirinhos, os caboclos, os pescadores artesanais, os pomeranos, dentre outros;
  3. Micro crédito;
  4. Agroecologia;
  5. Economia solidária;
  6. Micro e pequena empresa;
  7. Comercialização: PAA, PNAE – Aquisição para a alimentação escolar;
  8. Jovens;
  9. Mulheres;
  10. Crédito (Pronaf mulher, Pronaf jovem, etc, carteira indígena… Mais: selo inclusão e sei lá o quê)
  11. Saúde indígena;
  12. Educação diferenciada (indígena ou quilombola);
  13. Escola família agrícola;
  14. Territórios (simplesmente), território da cidadania e da identidade.
  15. Segurança alimentar e nutricional (Legislação, Consea, Consads, Caisan, etc);
  16. Terceira idade (estatuto do idoso);
  17. Adolescentes, crianças (Cras, Creas, Estatutos, etc.);
  18. Escola aberta;
  19. DST/AIDS;
  20. TI ou TIC, por aí vai;
  21. Sem falar na educação formal, que é muito pouco plural. (rimou!)

Quase tudo é relativamente recente, e cada vez mais departamentalizado, estamos perdendo a visão sistêmica de ser e do ser.

Ainda contamos com algumas variáveis do tipo:

  1. O contratante exige experiência (no mínimo dois anos) do candidato;
  2. Como no primeiro emprego, é muito raro que nos possibilitem ter a primeira experiência em Programas novos;
  3. As instituições de cooperação internacional têm filosofias setoriais, por exemplo: a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) com pesca e Fome Zero; Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) com a  área agrícola e energética; UNESCO com saúde e educação; a Organização dos Estados Americanos (OEA) com recursos hídricos, agora, com resíduos sólidos; em  segurança, clima e outras áreas o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
  4. A maioria está adotando modelos de formulário para currículo. Lá vai, mais ou menos na terceira linha, a data de nascimento: 28/09/1943;
  5. Em Edital recente, está uma cobrança de experiência de 5 anos em um programa que começou a ser implementado em 2009 (descuido?).

Continue lendo na próxima postagem A busca por oportunidade de trabalho – Parte 2B

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