Viver com compromisso e ser feliz

Viver com o compromisso por Antonio Sanchez-Marin Enciso

Comentário do Blog: O depoimentos do senhor Antonio Sanchez, espanhol de Barcelona, é uma peça para estudo. A consciência do auto cuidado para um envelhecimento ativo é clara e sua autodeterminação precisa. Importante ressaltar o papel de não intervenção direta dos filhos. A publicação do texto original respeitou as pausas dadas pelo autor e todas as suas particularidades. A tradução é livre e o original pode ser lido clicando no link da Fonte.

Quero avisá-lo que qualquer coisa que eu disser aqui é o que poderiam ser ditas por outros velhos como eu.

Às vezes pode ofender as sensibilidades dos ouvintes/leitores, porque se não temos a definição de velho, EU SOU. E ao velho nos falta modéstia e sinceridade nós temos a abundância.

Temos visto e ouvido!

Velho: uma pessoa que tem idade avançada e está no último período da vida, que está envelhecendo …

Adjetivo: ser muito velho, que tem muita idade.

EU, DISSE-ME MINHA NETA: “Gostaria de ser como você, porque você sabe muito, avô, e ensina-me muito, mas você está um pouco gordo”. Confirmei: Os velhos são um poço de sabedoria, perdão pela petulância, (modéstia). Por isso adverti que poderia ocorrer susceptibilidades feridas.

A vida ensina muito dizia um personagem literário de Pérez Andújar. O articulista nas celebrações de Santa Maria de La Mercè, em Barcelona, este ano, disse: “é possível aprender muito debaixo de uma árvore, mas com o dever de alfabetizar-se.”

“Quando passas a sua vida aprendendo com ela, você sabe muito ao final”, disse meu pai, uma frase que era para mim, nesse momento, uma petulância “pretensa”; uma pessoa como meu pai que nunca se gabava de qualquer coisa, e teve muito mérito, ou seja, uma pessoa que não teve vergonha de dizer: “Eu sei mais dormindo do que você acordado”.

Agora eu digo, ele estava certo. Essa sabedoria da vida, esse saber viver é o que queremos transmitir, e temos que fazer para que os mais novos aprendam, mesmo que eles, como nós, digam, não sem razão, que devemos deixá-los errar…  e aprender, como também me disse o meu neto mais velho.

Os gregos basearam toda a sua filosofia de vida no conhecimento da senescência em sua experiência de vida. Por isso, o Senado.

Deixem-nos ser os avós “cebolletas” e gordos, é a essência de nossas vidas de velhos, especialmente aqueles dos quais fomos professores, ensinar, aconselhar,  como o poema “De velho o conselho.”

Tal vez si el mozo me oyera
pensara que esto es perfidia,
creyera que tengo envidia,
que tengo celos dijera.
Pues con la venda de amor
no viera que soy un viejo
que solo con un consejo
puedo acercarme a tu honor.
Del viejo el consejo (Gabriel y Galán.)

Estou velho e sou orgulhoso disso. Pelo menos eu cheguei aos meus oitenta anos…

Eu faço a minha idade… Para isso eu tenho que ter vitalidade, física e mental. Alimentar-me adequadamente, gostar de comer bem e de forma saudável. E também alimento o espírito, a mente, com leitura… Escrevendo, pesquisando, aprendendo… A partir disto eu poderia dar uma exposição detalhada… Mas vou lhes dizer que estou muito satisfeito com o que tenho feito e o que a minha velhice, tem permitido participar na escrita de um livro e, digamos, outra…

Exercitar a mente, pelo menos, ler o jornal… E toda a literatura que possa ser lida… é o mesmo que dizer: segue a sua vida intelectual como sempre tens feito.

Outra condição indispensável é fazer tudo em conjunto, nunca fique só, envelhecer com o sua parceira é ideal e se você não tiver lembre os amigos e familiares que vivem ao seu redor. Portanto, temos de facilitar a tarefa, não ser um incômodo ou inconveniência.  Não os persigamos com nossos problemas…

Abandonemos o comodismo excessivo de nossas casas confortáveis, sair, ir para a rua, sempre que pudermos continuar com as nossas discussões com nossos antigos costumes…

Nunca nos sintamos incapazes para nada, até mesmo para viajar, isso é outra coisa a que minha esposa e eu não abrimos mão. Ser participantes de todas as atividades…

Temos a sorte de que nossos filhos nunca fizeram de nossas viagens, um dilema. Mas, a outras vejo que daqui a pouco teremos limitações para dirigir, quando chegar esse momento será decidido, e o tempo é simplesmente as limitações físicas que dirão… e, estar convencido  dessa realidade.

Eu uso um muito as mídias telemáticas, as redes sociais… Eu tenho que dizer que me leva a escrever muito, para transmitir as minhas ideias, e também para recuperar muitas velhas amizades que espalhadas pelo mundo agora se aproximam de mim com a emoção dos tempos de infância… “que pué que no vuelvan” como disse o poeta.

Viver com compromisso Social e político. Nós nunca devemos abandonar. Esse espírito bondoso que os velhos adquirem nas vicissitudes da vida, no curso dos acontecimentos é o impulso para essa participação social por meio de partidos políticos, associações culturais e nas ONGs.

Nós participamos ativamente em um Partido e somos membro de seis ONGs. Ainda participamos da Memória Histórica.

A sexualidade nunca deve ser deixada de lado. Em cada tempo com a própria capacidade de cada um.

Fonte: www.qmayor.com

Nota 1: Se usa en expresiones tipo “ser como el abuelo Cebolleta” o “parecer el abuelo Cebolleta” para referirse a una persona a la que le gusta contar anécdotas personales de tiempos pasados.

Nota 2: Perez Andruja é articulisata do elperiodico.com

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