Velhices reflexões contemporâneas, sugestão de leitura

Comentário do Blog: Começo, hoje  com uma sugestão de leitura e, logo após, um breve artigo. Na página 66 do livro encontramos um texto que é um alerta sobre como viver o tempo da vida. Afinal, a escolha é nossa vivermos em chronos ou kairós. Após as informações sobre o Livro o artigo Reflexões sobre os “tempos” da velhice também percorre o mesmo caminho. Boa leitura.

Esta é a publicação comemorativa dos 60 anos do SESC e da PUC SP, em homenagem ao trabalho desenvolvido pelas duas instituições em favor do idoso brasileiro e a contribuição de ambas as entidades nos estudos da gerontologia.

A coletânea, através de artigos de especialistas do SESC SP, da PUC SP e de outras instituições, aborda temas sobre o lugar do velho na sociedade contemporânea. Discute a identidade social do idoso e do jovem, as imagens do idoso na mídia, as ações da sociedade civil e do poder público no amparo à velhice fragilizada, e a relação do idoso com seu corpo.

Faz também uma reflexão sobre a morte e as questões éticas envolvidas na conduta direcionada a pacientes terminais. As ações do SESC SP e da PUC SP são reconstituídas em uma conversa cuja transcrição encerra o volume entre membros das duas entidades, em uma oficina de memória.

Reflexões sobre os “tempos” da velhice – artigo

Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: khronos e kairós. Enquanto a primeira era utilizada em relação ao tempo cronológico, sequencial, descrito em horas, anos e suas divisões; a última remetia ao momento certo, oportuno, em que algo especial acontece. Kairós descrevia a forma qualitativa do tempo, que não pode ser medido e sim vivido, enquanto khronos tratava da natureza quantitativa, mensurável. Estes dois “tempos” nos conduzem a reflexões sobre a importância da idade. O que é ser velho?

Desde que os seres vivos nascem já ocorrem em seus corpos mudanças relacionadas ao ciclo de vida. A vida em si é um processo, um ciclo existencial, social, cultural, psíquico e biológico. Envelhecer é parte deste processo, uma das várias fases que o compõe. A velhice, parte natural do processo vida, nada mais é do que uma categoria socialmente produzida/construída: cada cultura determina quando um indivíduo é considerado velho para exercer determinadas atividades.

Expressões e significações construídas na e pela sociedade auxiliam na produção e reprodução do imaginário social e na representação da velhice. Muitas imagens da velhice atravessam gerações, reproduzindo formas de discriminação, que vão desde a visão idealizada do velho como sendo sempre bom, sábio, generoso, responsável pela transmissão de valores até a visão do velho implicante, repetitivo, ranzinza, ditador, egoísta, gagá.

O filósofo Edgar Morin destaca que o ser humano rejeita e recusa a morte com todas as suas forças. Como a velhice é a fase da vida que mais se aproxima do evento rejeitado, associa-se a velhice a um peso, ao término da vida.

A velhice pode ser sentida como descrito, ou não, e deve ser contextualizada, ligada não apenas ao tempo biológico, mas a um pensar no envelhecimento enquanto processo multifacetado e multideterminado. Tem-se, portanto, duas velhices: uma objetiva, demográfica, biológica e outra subjetiva: a velhice que queremos e vivemos. Kronos e Kairós.

   no www.portaldoenvelhecimento.com.br

Imagem: Gnuribas – blogger

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