Calçadas … precisam seguir normas

Criar uma calçada acessível conforme NBR 9050, pode parecer um desafio para alguns profissionais, porém é mais simples do que você imagina.

A civilidade das calçadas

Comentário do Blog: Calçadas sem qualidade nos fazem só ver o chão, perdendo a riqueza de detalhes que a vida urbana nos oferece. Falei de Acessibilidade na postagem anterior para estabelecer a conexão com esta crônica de Denise Dantas. 

Estou fugindo de mim mesma há algum tempo. Sei disso quando uma frase ou uma palavra, ou ainda uma imagem, voltam insistentemente à minha consciência, a pedir que eu as vista, pois andam desnudas e sob o frio da minha indiferença.

Parei, enfim, para atender ao seu chamado… sim, Calçadas, eu as escuto há longo tempo e peço desculpas por não tê-las acolhido antes…

Em Natal, Petrópolis e Tirol não são apenas os bairros da minha infância. São os bairros das minhas calçadas até hoje. Elas inexistem como a marca de civilidade – significação dada por mim ao tapete imaginário sobre o mundo do pedestre fora da própria casa – nos outros bairros de nossa cidade.

E não importa que uma cidade seja plana ou cheia de ondulações para que haja calçadas de verdade, no sentido que dei acima: passeios sobre os quais podemos andar tranquilos, porque não tem desníveis criados aleatoriamente, ao desejo e à vontade dos que têm seus imóveis nos lugares por onde circulamos.

Se tais bairros têm um atrativo colorido afetivamente para mim e, por isso, falo de suas calçadas com carinho, além de estarem numa área plana da cidade, acredito que outras áreas de Natal poderiam oferecer o mesmo, ainda que haja muitas ondulações, pois nossa cidade foi formada sobre dunas móveis.

Sim, acredito. Como exemplo, trago Bristol, UK, onde passei um mês e por onde circulei basicamente a pé e que tem uma superfície bem mais irregular, comparando com Natal. No entanto, eu caminhava com a ajuda do tapete a me livrar de tropeçadas e/ou quedas e ganhando, com isso, a possibilidade de conhecer todas as paisagens da cidade com a vista desimpedida do papel de me proteger.

Por sinal, viajar para alguns dos outros países sempre me faz muito consciente daquilo que ainda precisamos construir em termos de nossa civilidade no tocante às calçadas! O prazer tão simples que é andar sobre um chão que nos trata com civilidade é algo inestimável para mim, além da harmonia visual do ambiente ser algo que me encanta. Até mesmo viajar por outras regiões do nosso Brasil tem o mesmo efeito.

Caminhar em cidades com calçadas sem obstáculos, poder ver o mundo ao redor, ao invés de grudar os olhos no chão para se proteger, pode ser um imenso prazer para uma pessoa, além de ser uma simples necessidade de locomoção.

E por que dar tanta importância e tê-las como emblemáticas da nossa (in)civilidade?

Porque o respeito mútuo, a consideração, a cortesia, a gentileza no convívio com o outro estão ausentes na oferta de calçadas que são verdadeiros atentados à integridade física de quem circula, e isso quando existem. Muitas vezes o solo natural e a falta de trato é o que se encontra no lugar delas.

E, para completar minha inconformidade com nossas calçadas, eis que surge agora mais algo a me prender a atenção: nossas calçadas estão afundando, ou melhor, toda a cidade construída está afundando a olhos nus! Mas, falar agora das camadas e sobrecamadas de asfalto que estão sendo, repetidamente, colocadas sobre nossas ruas é desviar o assunto e fica para outra vez. Apenas um comentário ou melhor uma pergunta: se o asfalto colocado fosse de boa qualidade seriam necessários recapeamentos tão espessos que em muitos lugares chegam a cobrir ou a nivelar a rua com os paralelepípedos dos meio-fios?!…

Fonte:imparidade.wordpress.com/

Imagem: https://qualificad.com.br//

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