Qual a saúde que Plantamos?

Solidariedade e equidade são valores centrais da saúde universal.

Comentário do Blog: Este artigo publicado por Cinthya Leite  do Jornal do Comércio  em 07/05/2019.  Cinthya também está em  https://blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/

A mensagem merece reflexão neste Dia Mundial da Saúde, que alerta para a realidade de milhões de pessoas continuarem sem assistência, geralmente forçadas a escolher entre gastos com saúde e outras necessidades cotidiana, como alimentação e moradia. “Que todas as pessoas, onde quer que vivam, tenham cobertura de saúde e possam ter acesso aos cuidados sem barreiras e sem sofrer sérias dificuldades financeiras”, disse a diretora regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Carissa F. Etienne.

O recado da instituição deixa transparecer a necessidade de se pensar em estratégias que envolvam serviços de saúde, integrados e de qualidade, com foco na prevenção, tratamento e reabilitação em todas as fases. Dos primeiros dias de vida até o envelhecimento, a atenção à saúde precisa ser valorizada nas políticas públicas. Enquanto cidadãos, não devemos esquecer que a criança de ontem é o adulto de hoje, o avô ou avó de amanhã. E mais: a qualidade de vida que temos, durante o processo de envelhecimento, está diretamente relacionada a oportunidades e riscos que vivenciamos a cada dia. Além disso, em todas as faixas etárias, os programas que promovem saúde mental e estimulam relações sociais são tão valiosos quanto ações que melhoram condições físicas de saúde.

Para isso se tornar realidade, o desafio se faz gigante. Os gestores reconhecem a missão. “Temos como compromisso ampliar a assistência. Há obras que precisam ser entregues nos próximos quatro anos, como Unidades de Atenção Especializada, o Hospital Geral do Sertão (em Serra Talhada) e o Hospital da Mulher (em Caruaru, Agreste). Também temos que expandir e melhorar a rede própria”, reconhece o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, ao mencionar que estão para ser lançados novo ambulatório no Agamenon Magalhães (na Tamarineira, Zona Norte do Recife); expansão dos setores de obstetrícia e pediatria no Barão de Lucena (na Iputinga, Zona Oeste) e ampliação da emergência do Getúlio Vargas (no Cordeiro, Zona Oeste).

Na capital, os desafios também são uma realidade. Com a crise econômica e a queda no investimento público em saúde, muitos recifenses deixaram os planos de saúde e passaram a depender da rede pública. A conta é de aproximadamente 100 mil cidadãos que, entre 2014 e 2018, depositam esperança exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. “Mais de 70% dos recifenses, em média, são atendidos pelas equipes de Saúde da Família”, frisa Jailson Correia, que destaca como avanço os atendimentos de algumas unidades de saúde, em horário estendido até a noite. Adaptar o funcionamento dos serviços ao comportamento das famílias é uma estratégia que pode contribuir para a promoção do bem-estar coletivo. Por mais iniciativas como essa que facilitem o alcance à saúde universal.

Para crescer esbanjando energia

Balé, exercício funcional (atividades que treinam o corpo para as tarefas realizadas no cotidiano), ginástica olímpica e natação fazem parte da rotina da estudante Helena Aragão, 6 anos. Quem vê de longe pode até pensar que essa agenda cheinha de movimentos traz sobrecarrega e estresse. A mãe da menina, a comerciante Agniezska Aragão, 39, garante que essas modalidades só trazem bem-estar para Helena, que não sabe o que é inércia. “É ela quem pede para praticar as atividades, e eu acho ótimo. Afinal, é muito bom quando o exercício é realizado por prazer, e não por obrigação. Além disso, a prática na infância estimula a criança a crescer incorporando bons hábitos que podem ser continuados por toda a vida”, conta Agniezska. O depoimento dela faz todo o sentido: o que acontece conosco no comecinho da vida pode ditar o rumo da nossa vida e faz a diferença para formar o adulto que hoje somos.

Foco e disciplina na adolescência

Quando a transição entre a infância e a fase adulta bate à porta, os compromissos vão aumentando e a responsabilidade com as tarefas escolares também. Paralelamente, desponta um amadurecimento biológico, psicológico e social. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que geralmente aparecem inquietações. O apoio da família é valioso, como relata a bancária Alessandra de Souza, 46 anos, mãe do estudante João Guilherme de Souza, 14. “Ele é muito calmo, equilibrado e responsável. São valores transmitidos na família. Como mãe, acompanho tudo, mas ele sabe como cuidar da saúde e até administra as idas ao dentista. Hoje em dia a pressão, diante dos adolescentes, para se obter resultado é grande, mas felizmente ele controla essa cobrança”, diz. E João Guilherme sabe que estresse pode ser nocivo à saúde. “Organizo bem a rotina de estudos, tenho uma boa alimentação e durmo bem. Tudo isso ajuda a não ficar ansioso, especialmente em época de provas”, conta.

Exercícios na lista de prioridades

Para o despachante aduaneiro Roberto Forni, 58 anos, o exercício físico, realizado de forma regular, na dose certa, e com acompanhamento, funciona como remédio. De fato, manter-se em movimento na vida adulta é uma prescrição médica universal – ou seja, quase todos os médicos e demais profissionais de saúde recomendam a atividade física contra doenças. Claro que tudo depende de cada situação. No caso de Roberto, a caminhada de 6 quilômetros alternada com corrida na esteira já virou um hábito, como escovar os dentes. “Tem que ser todos os dias. É algo que se tornou tão prazeroso que já faço num gesto automático, sem obrigação. Exercício me faz bem. Não me vejo sem ele”, relata Roberto, cuja prática é essencial para manter controladas a diabetes e a hipertensão arterial. Aliada aos treinos, a alimentação saudável funciona como amuleto para Roberto, que é uma inspiração para quem deseja mudar hábitos e ganhar mais saúde.

Olhar aprendiz sobre longevidade

“Acredito que a solidariedade, o cuidado amoroso nas nossas relações – sejam sociais, com a natureza, com a alimentação, com o aprendizado permanente, com os exercícios físicos e mentais – são fundamentais para a qualidade de vida.” É assim que a blogueira Juraci Vieira Gutierres, 75 anos, resume o que é importante para alcançarmos bem-estar e vida longa. “A velhice é coisa séria. Ficou ainda mais séria quando resolvi tratar, de forma amena, a sua complexidade em um blog”, conta Juraci, que assina o vivaavelhice.com.br. Em 2017, ela ingressou no curso de especialização em gerontologia da Universidade Católica de Pernambuco e hoje é uma grande conhecedora de temas que cercam o envelhecimento humano. “Cuidar da saúde é uma decisão pessoal. Eu optei pelo caminho da prevenção. Caminhada todos os dias; é grátis”, diz Juraci, que vê o envelhecimento como um período enriquecedor. “É uma oportunidade para aprendermos coisas novas e cada vez mais.”

Legado humano na endocrinologia

As lições deixadas pelo endocrinologista Fernando Almeida, que faleceu na última quinta-feira (4), aos 81 anos, merecem ser recordadas pela colunista que aqui escreve e que tantos ensinamentos aprendeu com um médico que fez a vida circular em relações de afeto e bondade. Durante a despedida ao mestre, na sexta (5), no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, Grande Recife, discípulos destacaram o perfil visionário e humano do médico, que exercia com maestria a empatia e a compaixão. Atendeu os pacientes até um mês antes de sua partida, sem deixar de espelhar um lema atribuído ao filósofo chinês Confúcio: “Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida”. A endocrinologia era uma paixão, aliada à habilidade e vocação de transmitir afeto aos pacientes. “Era um médico que sempre atuava com uma visão à frente do próprio tempo, além de ser muito querido por toda a clientela. Sempre ativo, participava de congressos para se manter atualizado”, diz o endocrinologista Ney Cavalcanti, que trabalhou com o colega por mais de quatro décadas no Instituto de Endocrinologia do Recife, criado por Fernando Almeida há exatos 50 anos. “Foi um dos médicos de maior atuação na endocrinologia”, completa o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo. Ao homenageá-lo, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia-Regional Pernambuco destacou seu pioneirismo na especialidade e na área de medicina nuclear no Estado. A Regional do Distrito Federal, onde Fernando Almeida trabalhou na década de 1970, também ressaltou sua contribuição à especialidade na capital federal. Sem dúvidas, seus preceitos permanecerão eternizados.

Fonte: Jornal do Comércio  em 07/05/2019. Por Cinthya Leite

Imagem: OPAS/OMS

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