Aprendendo sobre a Medicalização

O que tem no seu armário de remédios?

Os medicamentos que mantemos revelam nossas lutas e aspirações. Uma equipe de fotógrafos pediu às pessoas que abrissem seus segredos íntimos de saúde.

Comentário do Blog: Sob o título acima, o fotógrafo com fotografia de  O curioso é que alguns grupos de pessoas informaram que possuem os remédios em casa como segurança para atender a uma  possível doença que possa ocorrer. Nesse caso uma doença imaginada. Para despertar o interesse pelo conteúdo da recente publicação do Ministério da Saúde, copiamos e colamos, logo a seguir, um trecho do Livro USO DE MEDICAMENTOS E MEDICALIZAÇÃO DA VIDA:recomendações e estratégias publicado pelo Ministério da Saúde. O livro que está em PDF e pode ser baixado neste link. http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/fevereiro/15/Livro-USO-DE-MEDICAMENTOS-E-MEDICALIZACAO-DA-VIDA–1-.pdfOs grifos são nossos. Acreditamos que o vídeo do Café Filosófico completa o tema. Os convido a ler o destaque do livro.

“3.1 Contexto geral
O conceito de promoção do uso racional de medicamentos (URM) é bastante amplo. Foi definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1985, como sendo a situação em que “os pacientes recebam medicamentos adequados às suas necessidades clínicas, em doses que atendam às suas necessidades individuais, por um período de tempo adequado e ao menor custo para eles e sua comunidade”[1], corroborando, em teoria, com a Política Nacional de Medicamentos (PNM) e a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF)[2].
A necessidade de debate sobre esse tema advém dos problemas que são enfrentados tanto em nível local quanto mundial sobre o mau uso dos medicamentos. Segundo dados da OMS, é estimado que mais da metade dos medicamentos sejam inadequadamente prescritos, dispensados e/ou vendidos, e que metade dos pacientes os utilizem incorretamente[3]. No Brasil, a maior causa de intoxicações está relacionada aos medicamentos segundo dados do
Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX)[4].
É necessário atentar para a banalização do uso desse insumo levando-se em conta a questão da medicalização da sociedade. Para entender a relação entre medicamento, medicalização e medicamentalização é imprescindível compreender que o termo “medicalização” é complexo e polissêmico[5]. Pois, de acordo com o movimento social Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, o conceito “envolve um tipo de racionalidade determinista que desconsidera a complexidade da vida humana, reduzindo-a a questões de cunho individual, seja em seu aspecto orgânico, psíquico, ou em uma leitura restrita e naturalizada dos aspectos sociais”. Complementando essa definição, Oliveira et al[6] destacam que a medicalização envolve processos mais vastos que não se limitam apenas ao produto medicamento e possui uma lógica mais sutil e perversa de controle da vida das pessoas e da sociedade.
Já o termo “medicamentalização” se refere ao uso de medicamentos em situações que, anteriormente, não eram consideradas problemas médicos e, consequentemente, não existia um tratamento farmacológico para tal. Portanto, a medicamentalização pode ser considerada uma das conseqüências da medicalização.
Os medicamentos, se utilizados indevidamente, podem causar danos à saúde e levar o indivíduo ao óbito. Nesse debate de conceitos e termos, é importante demonstrar que o uso inadequado ou irracional de medicamentos é uma das formas de medicalização da vida, utilizado como meio para “normalizar” as pessoas. É importante ressaltar que o medicamento é uma tecnologia importante no processo terapêutico de inúmeros tipos de doenças, porém, é preciso evidenciar o uso indiscriminado e, muitas vezes, desnecessário, os quais perpassam a lógica do biopoder1.  Não é à toa que o psicofármaco clonazepam é altamente consumido no Brasil[7].
Atualmente, pessoas são constantemente incentivadas a resolver os problemas sociais utilizando medicamentos, e com a ajuda das propagandas de medicamentos nos meios de comunicação, disponibilizadas a todo o momento, é fortalecida a ideia de que utilizar medicamento é sempre bom, quando isso não é verdade. Vale salientar que a indústria farmacêutica investe mais em marketing do que em pesquisa e desenvolvimento (PD)[8].” Em 15/02/19

Fonte: www.saude.gov.br/    Imagem: redehumanizasus.net/

Café Filosófico: Origens da medicalização da saúde – Naomar Almeida Filho – Íntegra

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